A la playa.

Sábado, Outubro 31, 2009

Tá, na vida temos que ser como a água; desviar dos obstáculos e continuar seguindo para o mar. O mar, meta maior e aqui o x da metáfora: Às vezes precisamos fazer coisas que nem sempre gostamos pra conseguir fazer o que realmente queremos.

Mas a vida é tão volátil, e se não chegarmos ao mar? Terei passado a vida toda, ainda que curta, porém única, apenas desviando obstáculos e o mar terá sido apenas minha Passárgada?

Receio de um coração jovem que sempre teme não dar tempo? Pode ser... Mas ainda assim me questiono se não deveria arriscar um pulo ou voo mais ousado, distante da busca eterna por estabilidade e perto do gozo e prazer inigualável de fazer o que se quer e o que se gosta. Quem sabe enfrentar desafios até maiores que antes, na fila engarrafada dos que seguem o fluxo dos que seguem o fluxo, mas que seja. Que seja! Eu quero o risco do atalho, quero ir longe e além!

Ah, vida... Quisera eu um grande semáforo que em simples cores me indicasse "espere" ou "siga". E nessa estrada tão longa e sinuosa, quisera eu placas, guardas ou qualquer outra coisa que me ajudasse a não bater a cara contra o muro.

Entre ser água e humana, humanamente confesso: Meu receio profundo é de nadar, nadar e morrer na beira.

Enfim.

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

E o que acontece no final, nada?

Como assim nada, tá louco?

O final é um acontecimento a mais no fim do percurso, nada demais

O final é só reflexo, consequência

Não sei porque tanto alvoroço só por causa de um simples finalzinho

Deveria então ter prestado mais atenção do meio pro fim

Lá sim as coisas acontecem e são alguma coisa de fato, ativas

Sim, claro, tudo é sempre consequência, até o meio, até o início

Mas o fim é só mesmo um ponto final, um vírgula antes do recomeço

Você reclama demais, essa é a verdade

Da próxima vez presta mais atenção

O final foi lindo, você que não viu

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Eu sinto muito.

Sinto
Muito.

Diálogos Maternais I

Quarta-feira, Agosto 05, 2009

- Ahhhh, não aguento mais! Cansei dos homens, mãe, vou virar sapata.

- Hahahaha, essa eu quero ver! Do jeito que você é assanhada, minha filha, mais fácil virar freira, que tem a chance de comer o padre.

- Isso se o padre não for viado, né?

- E desde quando isso é problema pra você?

Ser ou não ser?

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Eu sou o que sou porque não poderia ser além de mim

No máximo mais eu

Mas eu sou só eu mesmo

Sou eu sendo

E sendo não me permite chegar a final nenhum


Como uma atriz no papel de mim mesma

passo por todos os possíveis seres que eu poderia ser

se eu fosse

Sou tudo e nada e nada de novo, sou sendo

Genuinamente todas eu

E ninguém ao mesmo tempo


Mas é bom me ver livre dos muros do ser

Sendo serei para sempre livre, como o ser jamais seria

Deus me livre dos finalmentes dos conceitos imutáveis!

Morreria mil vezes ou mais a pior das mortes

A morte de morrer estando viva.

Achando o amor.

Terça-feira, Julho 14, 2009

Eu acho que no amor não deve haver formalidades

Deve ser livre, espontâneo, rasgado

Inteiramente rasgado

Um dever facultativo

Porque amor não se deve, se dá de graça e bom grado

Não se divide, porque é inteiro, maciço

Ou é ou não é

E se for, que seja sem pompas

Ainda que repleto de adornos, de preferência floridos

Referência à primavera eterna no peito dos apaixonados

O amor é nu

Qualquer roupa é acessório descartável

No máximo um fetiche e o primeiro a ir-se embora

Eu acho que no amor não deve haver formalidades

Posto que é imposto

E o amor deve ser free-charge

Um dever facultativo

Formal somente quando segundo adjetivo

Adj. 2. Evidente, claro, manifesto, patente

E sem mais restrições

E antes de mais nada, acho que o amor não deve nunca ser

Porque o amor não é formal

Adj. 4 Que não é espontâneo: que se atém às fórmulas estabelecidas; convencional

Acho que o amor é como as pessoas

Há que se viver, sentir, antes mesmo de compreender, e quiças o faça

Como diria o poeta que também disse o amor, como tantos outros, como digo eu

"O amor tem razões que a própria razão desconhece"

Não acho que seja possível amar vestidos de tanta etiqueta

Eu acho que no amor não deve haver formalidades

E que todos devemos amar-nus.

Na Vila das Artes

Quarta-feira, Julho 01, 2009


São 6h da noite e no centro os sinos da igreja ainda tocam. É que acostumada com o silêncio das distantes casas dos bairros burgueses, esses sinos e a música de Maria em meio ao barulho do trânsito e dos passos apressados dos proletariados, me encantam. - Filhinha de papai e mamãe. Estudou nos melhores colégios, aos 15 resolveu ser rebelde sem causa. Questionava(se) por mimo? Vai saber. Cresceu, apanhou, se formou em Comunicação Social em uma boa particular e continua burguesa e questionando(se). Quer trabalhar com cultura porque cultua o sonho bobo de mudar o mundo (dela e de quem mais tiver afim). Se sente e diz "artista". - O vento nas folhas do coqueiro uni-se à sinfonia dos sinos, é gostoso... De repente irrompe o motor da moto que deve costurar entre os carros. Não sei, não vejo daqui. Dessa sala oca-e-eco do segundo andar da Vila eu só escuto barulhos. O vento e a luz são aqueles típicos dessa hora da tarde, que já é noite, mas ainda demora até que se faça escura mesmo. Aqui só tem eu, quatro pufs - me esparramo confortavelmente em dois - as paredes e o piso brancos, e a presença de alguns poucos nas outras salas. Presentes como um sujeito oculto de uma frase. A sensação gostosa de isolamento se desfaz quando escuto os passos e conversas abafadas de lá embaixo. Fico levemente tensa, como alguém que faz xixi na estrada de madrugada. Mas daqui eu só escuto. Não vejo nada além do chão e tetos brancos, os pufs pretos e o corredor iluminado. Além das portas das salas e o rapaz de vermelho que vez ou outra passa e cordialmente se ofereceu para acender as luzes, mas eu disse que não: "Obrigada, mas eu gosto do escuro dessa hora da noite." É rico esse momento, ainda que simples. E o risc-risc da ponta do lápis de girassol ajuda a manter a poesia que o barulho dos carros tenta apagar. Mas reluto, insisto no momento poético dos descritos do momento no bloquinho de papel. Até ignoro a chamada da amiga no celular; Hoje em dia são tão difíceis esses momentos! Estão, de fato, cada vez mais raros. - Acho que é a correria eterna para se chegar logo e depressa e primeiro, no primeiro lugar - Quê lugar? É mais complicado que esses meros achismos, também. Suponho. - Porém, ainda que sem porquês respondidos, raros... É preciso percebê-los, e feito isto, eternizá-los, como em uma fotografia... A arte me parece sempre a melhor resposta e agora não foi diferente. Só não me lembro em quê momento ou se surgiu mesmo alguma pergunta....

Fortaleza, 18:17, 30 de Junho de 2009.